Salada de Final Fantasy XV

Final Fantasy XV, peão elevado a rainha (pois era outro filler da era “””Fabula Nova Crystalis“”” e se tornou jogo da série principal), é o resultado de dez anos de enrolação do character designer que adora zíperes.

O problema em se oferecer a direção de um jogo a quem desenha bem é isso.

Dizem que FFXV se inspira em “Hamlet”. Ou seja, um jogo de videogame baseado numa das obras mais importantes da existência humana. Percebe a prepotência do negócio?

Sim, tudo tem que ser ÉPICO. Gigante, representativo. Começamos com um complexo de Épico, onde tudo tem que ser forçadamente grandioso.

Nesse mundo de GTAs e CoDs é difícil realmente representar lucro gigantesco. Resident Evil 6 vendeu milhões e foi considerado um fracasso.

FFXV então tenta atirar pra todos os lados, tentando vender a imagem de uma obra ostensiva. Tem animê, tem filme e CGI com dubladores famosos, tem joguinho mobile (afinal, alguém tem que ir ao banheiro algumas vezes por dia). Tudo que NÃO foi pedido, coisas que não possuem interesse pelos fãs, porque a obra NÃO foi lançada ainda e não existe algo pra se almejar. (Quem quer, nunca jogou os outros FF da série).

É Final Fantasy tentando abandonar o papel de nicho (jrpg pra nerds) e se tornando popular. O preço a se pagar por tornar algo popular é alto.

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Profundidade por exemplo, é uma das primeiras baixas ao tornar algo popular. Troca-se profundidade por brilho, efeitos especiais, gráficos bonitos.

Outro preço é a originalidade.

Eu pensava em “dissecar” (pra começar) os nomes dos personagens, mas eles são tão simplórios e clichês que basta um pouco de atenção pra perceber. Nomes pomposos em latim (essa palhaçada começou em Kingdom Hearts e seus inumerosos fillers) que representam nada mais que o papel de cada um no grupo. “Scientia” usa óculos, é inteligente e estóico, “Gladiolus” é um brutamontes com voz grossa e simples, justo e honrado e “Prompto” cumpre o papel necessário devido a ausência de elenco feminino no jogo: ágil, alegre, serelepe, desengonçado.

Onde mais o jogo perde em originalidade? A jogabilidade. Afinal, é preciso abandonar o sistema antigo de turnos, ATBs e outras barras e substituir por algo que faça sucesso hoje em dia: hack’n’slash (outro aspecto contundente de Kingdom Hearts, obra que “influenciou” bastante esse jogo), stealth (qual jogo não tem hoje em dia?), luta contra titãs (que GoW e Shadow of Collossus tornou tão popular).

Não contente em absorver estilos e gêneros de outros jogos, FFXV ainda flerta chupa com outras obras (além da literatura mencionada anteriormente): formação de grupo estilo boy band (proposital e confirmado), viagem na estrada do mencionado grupo, e até a música Stand by Me tocada por uma banda popular atualmente.

Lembram de Conta Comigo?

É, a história de um grupo de amigos que passam por dificuldades e evoluem mutuamente ao abraçar um objetivo em comum. Que coincidência! (aliás, um trope tão utilizado que já se tornou clichê, “o poder da amizade”, blá blá blá).

Mas antes que a obra clássica de Sessão da Tarde seja conspurcada, trago outro clipe que explica um pouco melhor do que se trata Final Fantasy XV:

 

Então, para que algo se torne grandioso, sacrifícios precisam ser feitos. Se você olhar para trás nos antigos lançamentos de FF, vai perceber o seguinte: nenhum jogo oferecia mais do que ele mesmo. O mais importante era lançar uma obra coesa, única, fechada em si (percebe agora a palhaçada que é FFXIII ter 3 jogos ruins, pseudo-FFs, que muito merecidamente, tornaram-se fracassos comerciais?).

A resposta é simples: Final Fantasy não é Call of Duty. O mercado é diferente.

Square-Enix se nega a ver isso e ao invés de criar um jogo que seja uma evolução do que foi FFVIII, FFIX, FFX e FFXII (bons exemplos de renovação da série), reveste Kingdom Hearts com uma “pintura” de Final Fantasy “homenageando” outras obras, sejam videogames ou não.

Final Fantasy XV pode ser um bom jogo? Sim. É um Final Fantasy da série principal? Não, é um spin-off filler.

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